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OSVALDO FERREIRA |
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MEMÓRIAS DO RÁDIO mama posso ir PODE quantos passos Estávamos no Cambodja helicópteros despejam soldados mama posso ir PODE quantos passos Estávamos no Mecong Os B52 despejam napalm mama posso ir PODE quantos passos Estávamos em MI LAI os soldados fuzilam mulheres mama posso ir PODE
Poema publicado na revista "O Falares", nº 4, 1995, produzida por estudantes de letras da UFRGS.
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- Uma flor para Lady Enola -
We’re looking trough out
crash helmet's land
When saw white birds
‘nd Enola Gay kissing
the girl with a hat
on her shoulders
E ele tinha os lábios
muito vermelhos
de tanto, que as mães
diziam dela ser puta
Brincamos na água com sabão
no longe, na barra branca
do horizonte, por trás dos varais
arranha-céus. E eu ali...
ali mãe de sangue até os pulsos
bem fundo no teu útero
Enola, Enola, Mr. President
disse que esta noite
os bombards irão dormir
E nós poderemos passear
nas ruas desertas
de bicicleta
O silêncio é um ferimentoque eu quero dilatar Poema inédito, década de 1980 Título por Adriandos Delima ***
- expresso coffee breakfast -
No chão do quarto
brinco
Estão em greve
no porto de Rio Grande
300 mil dólares de prejuízo
Hot dog milk shake
legiones sunt dominus mundi
um pássaro tece
no chão do sertão
uma mortalha
margarina vegetal
derrete sobre
tua nudez
cheira a orquídeas
região tropical
mãos de barro amassam taciturnas
Poema inédito, década de 1980. Título por Adriandos Delima
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Oswaldo Ferreira é ex-poeta marginal e agitador cultural dos anos 70 e 80, Rio Grande do Sul, Canoas, de diversas influências, entre elas Raul Bopp e e.e.cummings. Leitor de Filosofia, Sociologia, História e a Antropologia, intelectual autodidata, participou ativamente na luta contra a ditadura imposta pelo golpe militar de 1964, tendo sido preso por isto. Vivia como um simples chapeador e pintor de automóveis. Atualmente, está formado em história, tem uma oficina de chapeação e pintura e presta assessoria política.
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